quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

quarto escuro.

Em um quarto escuro, uso as mãos para tentar achar o que eu quero, tocando, apalpando, sem saber ao certo se há algo na minha frente, uma porta, uma pedra ou um futuro amor.
Toco, toco, toco.
Ando, ando, ando.
não encontro nada, acho que estou em uma sala vazia, imensa, escura. Ou talvez meus olhos estejam vendados e alguém esteja me olhando, ou uma porção de pessoas estejam me olhando. Nunca irei saber se continuar no escuro, tudo não passará de suposições.

ML

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

CF.

"E se perguntassem o que vem a ser o certo, Gabriela olharia com a cabeça torta como a de um cachorro quando parece não compreender o que se passa. O olhar de repente vidrado de quem tem sede de entender as coisas que acontecem ao redor. Ela não sabia amar, talvez. Então mais um amor havia ido emora, mais um amor havia chegado ao fim. Nessa imensa individualidade onde ninguém podia entristecê-la sempre cresciam espinhos. Espinhos para machucar aqueles que a machucavam, então assim não a tocavam. Não tocava porque o medo da mágoa não deixava que lhe tocassem, ou então havia medo porque não haviam tocado fundo o suficiente para que o medo existisse. Que triste então estava sendo, mas gabriela parecia acostumada. Acostumada e fria porque depois de tantas lágrimas, ela finalmente parecia ter secado. A maquiagem borrada em volta dos olhos tinha sido limpa na noite anterior. Quando antônio e ela se encontraram; ela parecia inteira. Inteira porque não tinha ficado nada dela para trás. Seus olhos eram de desilusão, de cansaço. Cansada de construir sonhos, planos, fantasias. E depois da desilusão, ter de construir uma a uma, como se nada daquilo tivesse existido, só para olhar para trás e não sentir nada do que sentira antes. Era mais um fim doído, choroso, arrastado. Fosse o ponto final sua lágrima de dor, já então sido decretado. Decretado num discurso mudo, num adeus em silêncio. Dito através de tudo daquilo que não havia sido falado. Antônio não parecia prestes a dizer nada. Gabriela não diria; se pudesse escolher, teria ficado calada, mas lhe escapou. "Meu coração tá ferido de amar errado. De amar demais, de querer demais, de viver demais. Amar, querer e viver tanto que tudo o mais em volta parece pouco. Seu amor, comparado ao meu é pouco. Muito pouco. Mas você não vê. Não vê, não enxerga porque não quer. A mulher louca que sempre fui por você, e que mesmo tão cheia de defeitos sempre foi sua. Sempre fui só sua. Sempre quis ser só sua. Sempre te quis só meu. E você, cego de orgulho bobo, surdo de estupidez, nunca notou. Nunca notou que mulheres como eu não são fáceis de se ter; são como flores dificeis de cultivar. Flores que você precisa sempre cuidar, mas que homens que gostam de praticidade não conseguem. Homens que gostam das coisas simples. Eu não sou simples, nunca fui. Mas sempre quis ser sua. Você, meu homem, é que não soube cuidar. E nessa mania de cuidar, vou cuidar de mim. De mim, do meu coração e dessa minha mania de amar demais, de querer demais, de esperar demais. Dessa minha mania tão boba de amar errado. Seja feliz"

O mestre, com palavras apaixonantes,
recomendo: Caio Fernando Abreu.

tristeza, louca e chata.



Certo, estou triste. Apesar de querer muito negar isso, apesar de ficar fugindo para os lugares com pessoas, com sorrisos, com abraços. Nada parece me convencer, nada me convém no momento. E apesar de odiar nesse instante ser melodramática (e digo nesse instante porque amanhã posso mudar de ideia) e ficar chamando atenção para as pessoas, estou escrevendo uma tristeza que anda me consumindo, porque parece que é o que vai me salvar hoje e sempre, dessas tristezas, desses vazios, ou sei lá o que chamam isso.
As pessoas costumam ficar tristes as vezes certo? elas precisam de silêncio, de quartos escuros, de pensamentos inoportunos, de músicas tristes. Precisam não desabafar com ninguém, só consigo mesmo, afinal nem há o que desabafar mesmo. A tristeza não precisa de motivos para aparecer, ela só precisa de um corpo, de uma tpm, de um pouco de falta de alto-estima, um pouco de qualquer coisa e ela invade e vai lhe derrubando: dias, semanas, não sei, ela quem decide, ela quem escolhe quando vai partir para outra pessoa.
Sabe, o que mais me irrita na tristeza é que eu não a conheço de hoje. Volte e meia ela apareceu na minha vida e desmoronou alguns sonhos, derrubou alguns murros que eu havia acabado de levantar, chutou minhas alegrias e algumas pessoas que me traziam alegria, ela me fez reparar em coisas que eu nem reparava e ainda me fez mudar, para ouvir o som dela batendo a minha porta. E mesmo eu a conhecendo a tempos e pensando que já estava acostumada a ela, esta continuou aparecendo e ainda mais forte, mais devastadora e ainda me disse: quanto maior a idade, mais vou aparecer e com mais força, não querendo derrubá-la, juro. Quero apenas que você aprenda, se toque, nem tudo são flores. Pois é, talvez ela tenha razão, tudo é uma questão de tempo, aprendizado, quedas, mas quer saber? tanto faz agora, um dia tudo isso chegará ao fim.

ML

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

prazer, vida!

Conheci uma menina um dia desses,ela me pareceu simpática e cheia de coisas para mostrar, ela veio com uma conversa de que só se conhece ela uma vez, por isso era para eu aproveitar essa chance. Coitada, meio metida. Mas ela tinha razão, ela é demais! A partir desse dia ela sempre me mostrava coisas legais e coisas normais para fazer, podia fazer qualquer uma e estaria feliz por estar curtindo com ela, mas preferi pelos caminhos mais perigosos.
Não sei porque, mas a adrenalina me atrai, o medo. Dizem que "escondido é mais gostoso" e realmente é verdade. Ela me avisou que depois de escolher o lado perigoso as coisas iam ficar feias, as pessoas iam falar, meus pais iriam descobrir, iam me julgar e dizer que eu estava do lado do mal, mas mesmo assim eu me arrisquei.
Quer saber? não me arrependi.
Quando estava no caminho, conhecemos mais pessoas e apresentei minha nova amiga a elas, que apenas fez:
- Prazer, meu nome é Vida. Você teve muita sorte, não é todo dia que me encontram por ai. E só me conhecem uma vez.

ML

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

dê o primeiro passo, se puder.


Esses dias tem sido dificeis para mim, muito incertos. Logo eu que sou totalmente intensa, ter que olhar o incerto e me segurar para esperar. Esperar é muito dificil para mim e não falo de ficar sentada na praça de alimentação do shopping esperando uma amiga ou um futuro amor, falo de esperar a vida. Esperar para ver o que vai acontecer da minha vida.
Isso é muito perigoso para mim, porque não costumo esperar. Costumo fechar os olhos e ir, talvez por coragem, talvez por "agir sem pensar", talvez porque aquilo seja o que eu esteja com vontade de fazer naquele momento.
Estou tão confusa que até minhas palavras estão saindo erradas, até minha caneta estava fugindo do papel, as ideias estavam fugindo da mente que eu não estava conseguindo começar mais um texto. Isso me assustou, obvio, escrever é o que eu sei fazer quando estou sozinha, isso é o que me acalma, abrir meu coração sem nem perceberem que eu estou fazendo isso e derrepente eu perder isso também? me deu arrepios. Fugi para um canto e fui ler livros, fui ler textos de Caio Fernando Abreu, mas mesmo assim eu não conseguia mais escrever, não sabia exatamente como começar.
O problema é justamente esse: O COMEÇO. A gente tem uma dificuldade enorme quando está com uma folha branca à nossa frente e tem que fazer qualquer coisa, depois que você escreve a primeira linha as outras vão fluindo, com sentido ou não, mas isso não importa, você conseguiu, perdeu o medo, deu o primeiro passo.
É exatamente isso que minha vida está precisando, do primeiro passo. Depois as outras linhas vão fluindo, a vida vai mostrando, ensinando. Mas o problema em questão acho que nem é esse, o primeiro passo eu tenho coragem de dar, mas tem um buraco na minha frente, e ele é fundo e incerto, por isso estou aqui, parada.
Incrivel como podemos comparar tanta coisa com o ato de escrever, mas o problema maior é que quando se escveve a gente pode apagar, passar corretivo, amassar e jogar a folha fora, jogar no lixo e começar tudo de novo, na vida, as pessoas ficam te lembrando, te julgando, querendo viver a tua vida, isso me irrita e muito.

ML

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

volte, menino imperfeito.



Alô? eu preciso escrever com todas as letras para você entender o quanto quero você aqui, por perto? Acorda, o tempo tá passando, os poemas que você escreveu estão guardados mas a folhas não vão durar para sempre, acorda porque para a gente ter o final feliz tem que correr atrás, tem que chegar no limite, tem que desafiar.
Já ouviu falar em alguma coisa que se ganha nesse mundo de mão beijada? só se você tiver muita sorte para ganhar na mega sena ou o big brother, porque o resto meu bem, temos que correr, temos que dessistir de algumas coisas e definitivamente agarrar outras, temos que dá a cara a tapa, se jogar. Porque ninguém que tenha ficado para história ficou de braços cruzados esperando alguma coisa boa acontecer, ninguém teve a sorte de ter seu nome em um livro ou sua foto em um quadro sem ter feito nada.
E quer saber? se você não se tocar logo que eu estou precisando de um romance vou ter que ir atrás de outra pessoa, mas não esses romances bobos de cinema com palavras bonitas ou coisas que NUNCA aconteceriam na vida real e sim de um romance REAL, um romance que me tire do sério e que me deixe louca, que suma e apareça quando quizer, só para me deixar morta de saudades, preciso de alguém que me faça sofrer mas ao mesmo tempo seja tudo que eu sempre quiz. Por que se for muito quente posso me queimar mas também não quero arriscar me congelar inteira, preciso que seja meio termo, preciso que você apareça agora e diga o quanto sentiu minha falta. E quando disse que era para sumir não quiz dizer que era para sempre, porque preciso que volte ou que escreva.
Você faz muita falta, mesmo com seu jeito ridiculo, você faz falta mesmo que as vezes ache seus poemas muito melosos, você faz falta mesmo com todos os defeitos porque eu amo defeitos e detesto pessoas perfeitas, procuro disisperadamente no meio da multidão pessoas "errantes", procuro porque se encontrar um cara perfeito não ia parar de pensar nos seus inumeros defeitos, porque se meus amigos estivessem felizes e perfeitos o tempo todo eu não aguetaria nem uma semana. Não sei porque mas preciso que volte hoje e agora, porque já faz tempo que você se foi e já não sei mais onde procurar, o defeito dos outros não cabem mais porque só os seus defeitos são bons.
Venha, venha agora, minha mala já está pronta. Me leve para onde quizer, porque serei sempre sua, e quando quizer sumir de novo, pode me deixar em qualquer canto fazendo qualquer besteira mas não esqueça de voltar depois, porque independente do que eu esteja fazendo, nunca vou parar de esperar, só para olhar seu sorriso amarelo e seu cabelo assanhado. Preciso da sua idiotice de menino e da seriedade de homem, preciso que volte logo porque ninguém está dando conta do romance que eu quero estão sendo de mais ou de menos e tenho quase certeza que quando você voltar será meio termo, o meu meio termo, espero que não esteja errada.

ML

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

sorrisos.


Estava aqui pensando, e olhe que tenho feito muito isso nos últimos dias, e pensei o quanto somos tolos. Sim, isso mesmo, somos muito tolos, bobos, idiotas. Ou talvez apenas eu seja assim, mas soa muito melhor quando eu generalizo, fica melhor até para eu falar e não me sentir como uma idiota única e sozinha.
As vezes a gente quer ser simpático demais, feliz demais, "descolado" demais, quer que uma pessoa olhe para você e pense: "aah, é essa pessoa, ela é a pessoa certa", a gente quer ser engraçado, a gente quer passar nossas coisas boas, a gente quer mostrar nosso melhor perfil, nosso melhor lado. Certo dia eu estava pensando, porque sempre respondo "estou bem e você?", eu não estou o tempo todo bem, e mesmo que eu esteja mal sempre respondo a mesma coisa, talvez para não ficar falando da minha vida, talvez para mostrar que estou feliz, talvez pra não dizer que estou pra baixo, talvez só para "mascarar", "maquiar" o que estamos sentindo. É essa nossa mania de querer que as pessoas achem, as pessoas imaginem, que as pessoas pensem e mesmo a gente falando "não tô nem ai para o que estão falando de mim" a gente vive em torno disso, porque a gente não quer afastar os amigos com nosso mal humor, porque a gente não quer gritar com todo mundo porque estamos mal, porque a gente só quer sorrir e dizer: estou bem e você? agente só quer sorrir mesmo que a gente esteja desmoronando, só para as pessoas que você não tem intimidade ou que você só fala oie tchau pensem que você está muito bem e obrigado, só para não magoar os que estão próximos de você descontando nos outros quando estamos nos nossos dias de "abusinho".
Tá, confesso, eu sou assim, eu dou uma de forte mas sou muito fraca e preciso trabalhar isso, mas eu não quero ficar falando que estou mal por isso vou continuar respondendo quw estou muito bem e as pessoas do outro lado vão continuar respondendo que estão bem também e talvez se não fosse essa mania, as pessoas seriam mais livres ou não, talvez falariam mais da sua vida ou apenas lhe compreenderiam mais. Sei que as vezes preciso explodir e colocar tudo para fora, mas ando prendendo tanto isso ultimamente, para agradar os outros talvez, ou só para conseguir encontrar uma pessoa sem que ela veja de cara os meus tantos defeitos.
Quero um sorriso, um sorriso lindo, de uma pessoa, de uma pessoa que me mostre que é diferente e não que apenas fale, quero um sorriso simples de uma criança inocente, mas quero também um sorriso de alguém com malicia, na verdade, quero um sorriso de alguém que conheça o mundo e mesmo assim continue sorrindo como uma criança, quero, quero muito e quero agora, e quero muito mais que essa pessoa esteja sorrindo de verdade não só de boca, mas lá no fundo da alma.

ML